Caros,
Estamos preocupados com a evolução política do Babels dentro das novas formas políticas e da evolução que os Fóruns Sociais estão tomando.
Esta é uma proposta que nós gostaríamos de fazer de modo a incorporá-la à Estatuto da Babels expressando nossa visão comum de qual o nosso objetivo com o juntos com nossas diferenças.
Este manifesto é claramente uma expressão positiva em resposta a um crescente risco de institucionalização e velhos hábitos que irão em um futuro próximo colocar em perigo nossos projetos em comum: o uso de listas de correspondência fechadas e privadas e não o Fórum Babels, ‘coordenações’ regionais e não as orientadas por projeto, a institucionalização de ‘coordenadores’ e ‘intérpretes’ e não voluntários compartilhando responsabilidades e informações juntos, e assim por diante.
Esperamos que este manifesto atingirá o seu interesse e expressará nossos objetivos.
Jose Arconada, Constance Boris, Yan Brailowsky, Thanasis Chrysos, Bettina Gertum Becker, Laurent Jesover, Gabriela Punto Arnao, Monica Salom, Gregoire Seither.
- Publicamos uma primeira versão dele aqui.
MANIFESTO
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Intérpretes e tradutores como parceiros politicos nos Fóruns Sociais
Como voluntários da rede Babels nós gostaríamos de sublinhar diversas mudanças ocorrendo em nossa comunicação e troca de idéias multilingüe. Esta evolução tornou-se possível através do processo do Fórum Social porque foi criada pela dinâmica dos Fóruns Sociais. Como voluntários da Babels e como parte de um grupo organizado de ativistas dentro de vários Fóruns Sociais, nós apoiamos essas mudanças e desejamos que elas avancem ainda mais.
Nossas experiências dos primeiros dois Fóruns Sociais Mundiais como intérpretes ou tradutores (voluntários ou outros), como ativistas de mídias alternativas ou como delegados nos fez perceber a importância das línguas no esforço progressivo de criar novos espaços políticos. Tornou-se óbvio que as línguas não eram apenas um meio de comunicação, mas são em si mesmas uma expressão de alternativas políticas.
As línguas não são apenas transmissão de idéias, mas também o berço de novas idéias. Este é o motivo pelo qual pressionamos pela presença de um número muito maior de línguas nos Fóruns Sociais, permitindo a expressão e participação de um maior número e diversidade de pessoas nos debates. Desde a criação da Babels, os Fóruns Sociais têm aumentado o número de línguas com intérpretes de 4 para mais de 15 idiomas diferentes. Isto, por sua vez, tem permitido a participação de mais pessoas e não apenas intelectuais e ativistas sortudos treinados para falar e compreender idiomas neo-coloniais.
A Babels tem lutado também para aumentar o número de espaços em que a comunicação internacional possa acontecer. Intérpretes devem ser providenciados onde quer que se façam necessários, de grandes salas de conferências a lugares onde pequenos grupos se encontrem para trocar idéias, articular movimentos e propor ações concretas. Grandes eventos são tão importantes quanto pequenas oficinas, onde ativistas de base se encontram para discutir questões com as quais estão envolvidos.
Por essas razões, a Babels não tem uma relação de cliente/empregador com os Fóruns Sociais: a Babels é uma parceira política que faz parte do próprio processo do Fórum e tem o mesmo status que qualquer outra organização, rede ou movimento social participante dos Fóruns Sociais.
Envolver voluntários nos Fóruns Sociais é portanto para a Babels, envolver-se e participar em todos os níveis. O trabalho conjunto de voluntários e especialistas treinados (sejam profissionais ativos, aposentados ou não-profissionais) e pessoas experientes (sejam estudantes de tradução, ativistas bilíngües ou outros) é uma escolha consciente. A qualidade da interpretação e tradução em fóruns sociais também está ligada ao compromisso dos voluntários através da colaboração e cooperação dentro e fora da Babels.
Se a Babels é uma rede virtual que ganha formas concretas quando de 500 a 700 voluntários se reúnem em um Fórum Social, ela também é uma rede de comunicação capaz de compartilhar com todos o processo de decisões, incluindo dessa forma uma grande diversidade de visões em projetos diferentes, assim como contradições aparentes. O conjunto de ferramentas usadas pela Babels, que aspiram criar espaços livres de encontro, criam um legado do qual voluntários buscando novas responsabilidades podem encontrar inspiração.
A Babels se organiza em torno de pessoas dispostas a assumir a responsabilidade de construir um projeto por um período pré-determinado de tempo com um time de voluntários que estão todos na mesma condição.
A Babels se organiza em torno de projetos, a maior deles ligados com os Fóruns Sociais em andamento.
A Babels, assim como os Fóruns Sociais, é um processo e não um conjunto de receitas.
O processo da organização baseia-se em autonomia e responsabilidade compartilhada. Os processos são abertos e construídos no consenso e horizontalidade. Isso significa que ninguém representa a Babels e que ninguém pode falar ou assinar documentos com título outro que membro da rede. Isso significa que não existe um grupo institucionalizado de “pessoas experientes” ou “coordenadores”, nem regras pré-estabelecidas ou receitas que têm que ser seguidas de um projeto a outro. Novos times devem assumir responsabilidade de acordo com a evolução da organização política de cada Fórum Social, e soluções nunca devem ser encontradas fora de cada novo contexto.
Babels é um novo projeto político em si mesma assim como não tem representantes e forma permanente de organização. Formas antigas de organização como ONGs, sindicatos ou mesmo redes previamente existentes freqüentemente tomam a forma de lobbies ou luta por poder. Mas essas formas não podem ser aplicadas à Babels que é um projeto colaborativo internacional no qual a transparência, horizontalidade e cooperação são a chave para tornar real a idéia política dos Fóruns Sociais como “espaços abertos de debate levando à ação”.


